quinta-feira, 30 de março de 2017

Tratamento do Câncer de Ovário Epitelial Invasivo segundo Estágio da Doença

Equipe Oncoguia- Data de cadastro: 28/07/2014 - Data de atualização: 28/07/2014
O primeiro passo no tratamento da maioria dos estágios do câncer de ovário é a cirurgia para retirar o tumor e fazer o estadiamento da doença.

Estágio I

O tratamento inicial para o câncer de ovário estágio I é a cirurgia para remoção do tumor. Na maioria das vezes o útero, as trompas de Falópio e os ovários são retirados (histerectomia com salpingo-ooforectomia bilateral).

Nos estágios IA e IB (T1a ou T1b, N0, M0), o tumor foi diagnosticado em um ou ambos os ovários, sem ter-se espalhado para os linfonodos ou outros órgãos. O tratamento pós-operatório depende do grau do tumor.

O tumor é de grau 1, quando as células cancerosas se parecem muito com células ovarianas normais. O prognóstico é bom e a maioria das pacientes não necessitam de tratamento após a cirurgia. Se alguma paciente com grau 1, câncer de ovário estágio IA deseja ter filhos após o tratamento, a cirurgia inicial pode ser modificada. Em vez de retirar o útero, ambos os ovários e ambas as trompas de Falópio, o cirurgião pode retirar apenas o ovário que contém o tumor e a trompa de Falópio do mesmo lado.

Para um tumor grau 2, as pacientes são observadas de perto após a cirurgia sem tratamento adicional ou são tratadas com quimioterapia. A quimioterapia administrada consiste na combinação de carboplatina e paclitaxel, por 3 a 6 ciclos, cisplatina pode ser usada no lugar da carboplatina, e docetaxel em vez do paclitaxel.

Os tipos de tumores grau 3 não se parecem muito com o tecido ovariano normal, sob o microscópio. O tratamento destes tumores geralmente inclui quimioterapia.

Para o estágio IC (T1c, N0, M0), a cirurgia padrão para remoção do tumor ainda é o primeiro tratamento. Após a cirurgia, é recomendada quimioterapia, geralmente 3 a 6 ciclos de com carboplatina e paclitaxel.

Estágio II

Para todos os tumores estágio II, o tratamento começa com a cirurgia para estadiamento e diminuição do tamanho do tumor. Isso inclui histerectomia e salpingo-ooforectomia bilateral, com retirada do máximo volume possível do tumor.

Após a cirurgia, é recomendado pelo menos 6 ciclos de quimioterapia. A combinação de carboplatina e paclitaxel é a mais frequentemente utilizada. Algumas mulheres com câncer de ovário estágio II são tratadas com injeção intraperitoneal de medicamentos quimioterápicos, em vez de quimioterapia intravenosa.

Estágio III

Os estágios IIIA, IIIB e IIIC recebem as mesmas terapias que o estágio II. Primeiramente é realizado o estadiamento cirúrgico com diminuição do tamanho do tumor (como no estágio II). Nesse procedimento, o útero, as trompas de Falópio, os ovários e omento são retirados, retirando o máximo possível do tumor. O objetivo da cirurgia é não deixar nenhum tumor maior do que 1 cm.

Às vezes o tumor se desenvolveu sobre os intestinos, e, para retirá-lo parte do intestino precisará ser removido. Às vezes partes de outros órgãos, como bexiga ou fígado, precisam ser removidas para a retirada do tumor.

Após a recuperação cirúrgica, é administrada uma combinação de medicamentos quimioterápicos. Na maioria das vezes, essa combinação é de carboplatina (ou cisplatina) e um taxano, como o paclitaxel, administrada via intravenosa durante 6 ciclos. Outra opção é administrar a químio intra-abdominal ou intraperitoneal após a cirurgia.

Após a cirurgia, e durante e após a quimioterapia, devem ser realizados exames de sangue, do marcador tumoral CA-125 e exames de imagem para avaliar a resposta ao tratamento.

As pacientes sem condições físicas para realizar a cirurgia de diminuição do tamanho do tumor são inicialmente tratadas com quimioterapia. Se a quimioterapia responder e a paciente tiver melhores condições físicas, pode ser realizada a cirurgia, muitas vezes seguida por mais quimioterapia. Na maioria das vezes, são administrados 3 ciclos de químio antes da cirurgia, com pelo menos mais 3 ciclos após a cirurgia.

Terapia de consolidação - Para alguns pacientes, pode ser recomendada a administração de quimioterapia adicional após o tratamento inicial, mesmo que já não existam sinais da doença. Esse procedimento, denominado de manutenção ou terapia de consolidação, tem o objetivo de destruir as células cancerígenas remanescentes e impedir uma recidiva. Um estudo mostrou que administrar paclitaxel, a cada 4 semanas, por um ano, aumentou o tempo livre de doença, mas não aumentou a sobrevida. Outro estudo, que administrou os medicamentos em um esquema diferente, não encontrou benefícios. Isso ainda está sendo estudado em estudos clínicos.

Estágio IV

No estágio IV, a doença se espalhou para outros órgãos, como fígado, pulmões ou osso. Neste estágio, a cura já não é possível com os tratamentos atuais, mas, ainda assim pode ser tratada. Os objetivos do tratamento são ajudar os pacientes a se sentirem melhor e aumentar a sobrevida. O estágio IV pode ser tratado como estágio III, com retirada cirúrgica do tumor e diminuição do tamanho do tumor, seguido de quimioterapia. Outra opção é tratar inicialmente com quimioterapia. Na maioria das vezes, são administrados 3 ciclos antes da cirurgia, mais 3 ciclos após a cirurgia. Outra opção é a de limitar o tratamento para os que visem apenas melhorar o conforto. Este tipo de tratamento é chamado paliativo.

Recidiva

A recidiva pode ser local ou para outros órgãos. Tumores persistentes são aqueles que nunca são totalmente curados com o tratamento. O carcinoma epitelial de ovário avançado, muitas vezes recidiva meses ou anos após o tratamento inicial.

Às vezes, é recomendado fazer outra cirurgia. A maioria das pacientes com recidiva de câncer de ovário são tratadas com algum tipo de quimioterapia. Os medicamentos utilizados vão depender do que a paciente já recebeu em tratamentos anteriores e sua resposta aos medicamentos utilizados.

Algumas mulheres podem receber vários esquemas diferentes de quimioterapia durante muitos anos. Além disso, algumas pacientes podem ser beneficiadas com a hormonioterapia, com anastrozol, letrozol ou tamoxifeno. Pacientes que não fizeram quimioterapia inicialmente podem ser tratadas com os mesmos medicamentos utilizados para o câncer recém diagnosticado, geralmente com carboplatina e paclitaxel.

Altas doses de quimioterapia com transplante de células tronco têm sido utilizadas para pacientes com recidiva ou persistência. Este tratamento tem importantes efeitos colaterais, no entanto, não foi comprovado que aumente a sobrevida. Ele é realizado como parte de estudos clínicos, que estão avaliando melhorias para este procedimento.

Tratamentos paliativos - Um problema comum que pode ocorrer em mulheres com câncer de ovário é o acúmulo de líquido no abdome, denominado ascite, que pode ser muito desconfortável mas, que pode ser tratado com paracentese. Às vezes, se recomenda quimioterapia intraabdominal. O tratamento com bevacizumab também pode ser uma opção. Estes tratamentos podem aliviar os sintomas em algumas pacientes e, raramente, prolongam a sobrevida.

O câncer de ovário pode causar obstrução no trato intestinal, provocando dor abdominal, náuseas e vômitos. Muitas vezes, pode ser necessária a realização de uma cirurgia para desobstruir o intestino. Para deixar a paciente confortável, é colocado um cateter através da pele até o estômago de modo a permitir que os sucos gástricos drenem e não bloqueiem totalmente o trato digestivo. Isso pode reduzir as dores, náuseas e vômitos.

Em algumas pacientes, a cirurgia pode ser realizada para aliviar a obstrução intestinal. O procedimento é oferecido apenas para as pacientes que estão bem o suficiente para receberem tratamentos adicionais após a cirurgia.

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