quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Depoimentos de pacientes e familiares - Alerta e Conscientização para o CA de Ovário!


Queridos leitores:

Já comentei por aqui que criei no facebook um grupo de ajuda chamado SOMOS MAIS QUE VENCEDORAS! 
Nesse grupo, eu, pacientes e familiares de ca de ovário e outros tipos de cânceres interagimos e trocamos experiências, informações, carinho, dores, temores, enfim, estamos juntas porque JUNTAS SOMOS MAIS FORTES!
Como forma de alerta e conscientização, compartilho com vocês alguns depoimentos dessas mulheres. 
Geralmente, no CÂNCER DE OVÁRIO as estórias se repetem, pois, na maioria das vezes, os sintomas são confundidos com problemas gástricos e outros males comuns, fato este que leva a um falso diagnóstico, fazendo com que a doença somente seja descoberta quando em estágio avançado.
É lamentável não termos ainda um exame que possa detectar precocemente o CA de ovário e, mais lamentável ainda é não ser adotado como protocolo o exame de sangue CA 125, ao menos para as mulheres mais propensas a desenvolverem esse tipo de ca (grupo de risco: mulheres com mais de 40 anos, que nunca engravidaram, que já tiveram ca de ovário ou mama na família, que nunca tomaram anticoncepcional)... 
A conscientização para o ca de ovário é um trabalho de formiguinha! Todas nós podemos fazer a nossa parte para alertar mais e mais mulheres sobre esse mal "sussurrante". A informação continua sendo o nosso único caminho para a PREVENÇÃO. 

Obrigada a essas amigas por compartilharem as suas estórias conosco!


Carla Duda - Bem querida Nanci Bueno, todas vocês sabem que eu sou filha de uma paciente em tratamento. Mas vou contar a história por ela pois serve de alerta: Minha mãe em 2012 começou a sentir dores no estômago e quadro depressivo. Até aí, ela nunca havia falado de cisto e já estava na menopausa. Fez exames e foi diagnosticada com H. Pylori. Fez o tratamento para o H.ylori e depressão. Fiicou razoavelmente bem mas sempre com problemas de estômago, indo sempre ao gastro. Em fevereiro 2014 um ginecologista nos exames de rotina disse que havia algo errado e que ela deveria ser submetida á cirurgia e indicou outro médico. Este porém, GARANTIU que era somente um cisto. Porém, entre dores de estômago, abdominais, inchaço e desmaios minha mãe foi internada e encaminhada a uma ginecologista/oncologista que fez os exames e deu o diagnóstico "neoplasia" . No dia 01/09/2014, realizou histerectomia radical, retirou um CA de ovário de 8cm com metástase para intestino e parte da bexiga, tudo reconstruído. Cirurgia de 7 horas por laparoscopia exploradora e infelizmente, colocação do estoma. Detalhe : Os marcadores tumorais para CA de intestino também apresentaram resultados normais e CA 125 = 64. Ou seja, não podemos confiar nos outros marcadores .... Após a cirurgia, estávamos todos em choque e ela, pobre mamãe, mais ainda.... Usou fraldas, inchou mais ainda, ficou mais 22 dias internada.....Dias difíceis, todos viramos enfermeiros! Mas meu pai, tenho orgulho dele, assumiu até hoje tudo com muito amor , carinho e paciência mesmo diante da revolta de minha mãe. O tratamento inicial eram 4 sessões de quimio. Mas já se foram 10 e tem mais 3. O dia mais difícil para ela? Todos, pois vive entre a esperança da cura e as reações do tratamento que a enfraquece aos 70 anos de idade.....Apesar da idade ela quer sua vida de volta! Quer ir ao banheiro como uma pessoa normal ! E se pergunta : Até quando ?

Aline Sampaio - Descobri o meu em novembro de 2013. Foi um susto! Não tinha idéia que estava gravemente doente, com adenocarcinoma em estagio IV, com metástases no fígado, intestino, mediastino, peritônio e etc. fiz cirurgia com histerectomia radical, e 6 ciclos de quimio... Contudo, meu ca125, nunca chegou ao 35, e oito meses após, tive recidiva constatada via pet ct, então fiz mais 6 ciclos bombásticos de quimioterapia. Faz um mês que terminei, então fiz novo pet e deu normal, mas o marcador continua acima de 35. Vou fazer o exame genético assim que o plano autorizar. Que Deus cure nossas mazelas, guerreiras!!!

Patricia Q. - Olá Bom dia! Recebi meu diagnóstico Câncer de ovário em março desse ano, Era um simples cisto de 5 cm a principio benigno.Fiz uma cirurgia de videolaparoscopia p retirada do cisto em Fevereiro, 15 dias depois fiquei sabendo que era câncer de 1 grau, e que ele rompeu na cirurgia Meu mundo caiu.....Após 1 mês fiz outra cirurgia histectomia total, para minha sorte nao houve metástase nos órgãos retirados. Fiz 6 ciclos de quimioterapia terminei agora em setembro. Meu Deus que susto!! Tenho 38 anos 2 filhos. Agradeço a Deus todos os dias ter descoberto no início. Essa semana fiz exames que constatou cisto no rim, meu médico disse que não é nada....vamos confiar. Vida que segue.....

Ana Luísa  (Lisboa - Portugal) - Já há algum tempo que tento dar o meu testemunho, mas acho que só agora ganhei coragem para falar no assunto. Em agosto do ano passado comecei a ter muitas aftas, a boca sempre cheia, andei 3_ meses assim. Fui ao médico, estava a emagrecer muito, disse-me que era uma depressão. Nem tomei os medicamentos. Em janeiro já recuperada das aftas, pensei em ter filhos. Comecei a ficar com a barriga grande, cada vez mais magra (44kg), enjoada, com sensação de enfartamento, entre outros sintomas e marquei consulta. A 31 de março uma dor muito forte levou-me ao hospital, passei toda a noite lá e diagnosticaram-me gases, queixei-me que sempre tive quistos nos ovários mas mandaram-me para casa. Fui logo à ginecologista que me disse que me tinha rebentado um quisto e que via uma massa de 9cm no ovário esquerdo. Fiz mais exames, ressonância, e em 2 meses atingiu os 22cm, parecia uma grávida de 6 meses. Fiquei em lista de espera para a cirurgia mas comecei a ter dores horríveis, mal conseguia andar e comer, dormia sentada e posso dizer que foram os piores dias da minha vida. Após 2idas às urgências fui operada, disseram que era um quisto benigno. Estava super feliz quando passado 3 semanas a médica me liga para ir a uma consulta. Afinal era um tumor mucinoso do tipo borderline. 2meses depois da 1a cirurgia fui operada de novo, tiraram o que restava do ovário esquerdo, a trompa, fizeram uma apendicectimia, omentectomia, lavagem peritoneal entre outras coisas. Felizmente não precisei de quimioterapia, sou acompanhada por um médico de oncologia e vivo em pânico com medo de ficar sem o ovário direito antes de ter filhos. Agora dou todo o valor à vida, jã não me chateio com coisas insignificantes e todos os dias agradeço a Deus a sorte que tive e rezo por quem está a passar pelo mesmo ou por pior. Passaram 3 meses da última cirurgia e tem dias que ainda me sinto confusa e triste mas vai passar porque agora sei que sou mais forte do que pensava. Muita força a todas.

Denise M. - Em 1994 apareceu cisto no ovário esquerdo nos meus exames de rotina e após 
uma cirurgia fui diagnosticada com um cancer raro chamado Tumor das células da granulosa Tipo Adulto..
Não precisei fazer quimioterapia pois estava "encapsulado" e sim uma ooforectomia unilateral e acompanhamento com exames de sangue e de imagem semestrais. 
Em 2006 tive a primeira recidiva com metástase no ovário direito e carcinomatose peritoneal.
Perdi o chão...medos e incertezas ,o tratamento começaria com um protocolo de 7 sessões diárias de quimioterapia de 4 horas cada seguida de uma cirurgia. Durante esse período muito difícil e estressante,chorei e sorri a cada consulta.Segui o tratamento com uma cuidadora, amigos queridos ,minha família ,respeitando e aceitando com humildade o que cada um podia fazer e assim todos,inclusive no meu trabalho colaboraram com minha recuperação. A gratidão que tenho é imensurável !!!Comecei o tratamento com antidepressivo e ansiolítico o que faz muita diferença até hoje. Guerreira sim sofredora nunca.
Diferente de algumas pessoas eu sempre quis saber tudo sobre a doença, pesquisas no assunto, horas e mais horas na internet em sites do mundo todo procurando entender como conviver com uma doença incurável sem protocolo definido diante da sua raridade.
Nesses 9 anos foram vários protocolos de quimioterapias,recidivas,5 cirurgias imensas sendo a última em abril de 2015.Coragem,serenidade e sabedoria.Hoje posso dizer com o coração aberto que me amo mais e dou valor a coisas simples. Todos os dias agradeço por pequenas alegrias e vivo o Agora respeitando os meus sentimentos, minhas vontades , minhas limitações...Viver, conviver e sobreviver...

Tamara Barbara - Desde, mais ou menos, outubro de 2014 minha mãe comentava sobre desconforto abdominal, sempre que ela fazia alguma refeição. Ninguém em casa deu muita bola para isso, porque ela e meu pai tem problemas digestivos (gastrite, gases, ambos retiraram vesículas, etc). A barriga dela sempre distendia após as refeicoes, e isso ficou um pouco mais evidente lá para novembro. 
Em dezembro/janeiro, essa situação aumentou ainda mais; agora a barriga distendia "do nada", o empanturramento surgia mesmo sem comida, sensação de gases. Preocupada, em janeiro ela marcou com o ginecologista da família (porque no ano passado ela não tinha conseguido fazer o acompanhamento anual), e posteriormente marcaria com um endocrino/gastro. 
Calhou que, em um final de semana, um pouco antes de ir ao médico, ela acabou passando muito mal, desmaiando e indo para um pronto socorro. Ali foi constatado que ela teve uma crise de pancreatite (o que era estranho, porque ela já não tem mais vesícula... Mas mais tarde descobrimos que a má alimentação dos últimos meses, algo que ela não estava acostumada, com muita gordura, também pode ter desencadeado) mas, incomodado, um ginecologista do PS apareceu e resolveu prosseguir com alguns exames. 
Encontraram um "cisto" no ovário. O médico do PS orientou que ela procurasse ajuda "para ontem". Ele não quis abri-la pela dificuldade que minha mãe poderia encontrar de, posteriormente, ser transferida para algum hospital especializado. Na época não entendemos, mas depois ficou mais claro e sou eternamente grata por esse homem. Estávamos pelo SUS. 
Fomos encaminhado ao Pérola Byington e logo de cara a medica, que por sorte foi uma ginecologista oncológica, já disse: "olha, com marcadores elevados, as características do ultrassom e a ascite é sinal de malignidade". 
Tudo a partir daí foi mais rápido do que consigo imaginar. Por termos perdido o convênio em 2013 (motivo pelo qual minha mãe não fez o acompanhamento), fiquei desesperada que minha mãe fosse se tornar mais uma fatalidade na fila do SUS. Fico muito feliz por ter "pagado com a língua".
Em menos de um mês ela completou todos os exames, foi transferida para a equipe cirúrgica, resolveu todas as burocracias necessárias e, completando um mês, em março, um dia depois do seu aniversário de 52 anos, foi operada. Foi um quase mês de muito sufoco, medo (principalmente pela minha parte) é uma tentativa de deixá-la o mais forte possível, emocional e fisicamente, para a cirurgia. Sucos para fortalecer imunidade, sucos para isso, para aquilo, alimentos "anti cancer" (sendo que só foi confirmado após a cirurgia), orações, cirurgias espirituais, acho que nunca revirei tanto a internet atrás de artigo acadêmico médico. De repente "eu sabia" (não né, porque não sou médica) tudo sobre ovário e prognósticos. Isso foi bom e ruim (porque fiquei surtada). Minha mãe só seguiu com tranquilidade e acreditando em Deus e no melhor, contra todas as possibilidades. Ela dizia "eu causei isso, mas vou me curar". 
Sete horas de cirurgia e um cirurgião super atencioso, comprometido, ético e "brother" dizendo que a cirurgia tinha sido um sucesso e que ele tinha "conseguido limpar tudo". Já na cirurgia, pelo congelamento da peça (e pela minha mãe ter ouvido durante a cirurgia), sabíamos que o tumor era de grau 1 (bem diferenciado). Não havia ascite, algo que nos exames tinha. Sumiu. Sério, sumiu. Os exames também davam a entender que o negócio estava um pouco pior do que parecia... Na cirurgia, o tumor estava encapsulado. O médico, durante a cirurgia, achou que ele estava em estágio mais avançado por conta de "coisinhas" encontradas em linfonodos e em outras partes. Disse pra minha mãe não contar muito com estágios iniciais da doença, mas ter esperanças que tudo corria bem em relação ao prosseguimento: cirurgia bem, corpo forte, alguns ciclos de quimioterapia e tudo melhoraria a partir de então.
O um mês de recuperação e da saída da biópsia foram angustiantes. Pensei em todo o tipo de coisa - cirurgião falou que não era muito bom, então já tentava me preparar para o pior. 
E chorei igual a um bebê quando o resultado da biópsia saiu e a médica, a mesma que atendeu minha mãe no início, disse que estava em estágio IB. O que o médico tinha achado fora do ovario eram focos de endometriose. Nenhum linfonodo comprometido. Nenhuma célula neoplasia no lavado peritoneal (a ascite tinha sumido). Grau I. Cistoadenocarcinoma mucinoso encapsulado com leve infiltração no estroma (logo, maligno e não borderline). A médica ficou super feliz e disse que o prognotisco, dado o fato de ser cancer, era o melhor possível. Eu não acreditava no que ouvia. Chorou eu, minha mãe, meu pai... Foi quase tudo o que não choveu no Cantareira hahaha
Ela fez a quimioterapia ainda assim, por conta do marcador tumoral altíssimo causado pelo combo pancreatite + câncer. O CA 125 e 19-9 pre cirúrgicos estavam absurdos, e a minha mãe foi dada essa escolha. Ela optou por fazer. Após a cirurgia, quando nos encontramos com o onco clínico, responsável pela quimio, ele já tinha baixado para os valores normais, só o 19-9 que estava ainda elevado, mas era dentro do padrão (marcadores tumorais funcionam como decaimento, eles caem uma porcentagem específica a cada dia, então a queda estava dentro dos padrões normais, dado o valor anterior). 
Ontem minha mãe passou com a médica novamente e está, oficialmente, em remissão. Ela fará os exames novamente em marco, e se correr tudo certo como até agora, assim será por cinco anos.
De tudo isso, só posso tirar que Deus existe. Deus existe, e fez um milagre na nossa vida, na nossa cabeça, na nossa história. Eu acho mesmo que ele operou muito na vida da minha mãe, porque a perspectiva era algo muito mais agressivo do que se tornou... Conversei com muitos médicos e só posso concluir que teve, sim, não divina. 
Deus realmente opera milagres. Tenho dito a todas as mulheres que conheço sobre a prevenção. Não é nada específico como é para as mamas, mas é extremamente necessário. Minha madrinha não fazia exames há treze anos, eu não fazia exames há três - e tudo o que aconteceu sacudiu a família para ficar mais "esperta" em relação a saude. Não dá pra marcar bobeira. 




2 comentários:

  1. Que legal esses depoimentos. Minha sogra descobriu e vem lutando contra o câncer de ovário desde junho de 2015. Eu já tinha pesquisado um pouco no início em busca de tentar entender o que podemos fazer enquanto família para ajudá-la a superar essa terrível doença. Sei de uma coisa desde o diagnóstico ela não é mais a mesma pessoa, a depressão a deixou sem muitas forças para lutar. Já teve comprometimento de um rim e o outro está com um cateter e agora infelizmente sofreu uma queda ao andar em casa mesmo e fraturou uma vertebra da coluna, enquanto isso sem fazer a quimioterapia desde outubro. Só fez 3 das 6 que foram indicadas, na próxima semana levaremos ela para uma consulta com a oncologista para ver se a mesma já tem possibilidades de voltar ao tratamento. Uma coisa eu aprendi nestes últimos meses a FÉ em Deus é que nos move.

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  2. Olá pessoal,,, Estou com suspeita de cancer de ovário pois tenho emagrecimento,inchaço, abdomém alto mas ele é tá evoluído tenho liquido acistico no abdomém tbm já fiz uma ressonância, Ca 125, intravaginal tbm ainda não foi diagnosticado a doença qual exame que pode diagnosticar esse câncer msm sabendo q vou morrer,,,, Me ajudem por favor estou em desespero

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