terça-feira, 23 de abril de 2013

Estresse e a possível vulnerabilidade ao câncer



Desde que fui diagnosticada com câncer, tenho lido muito a respeito do assunto e mantenho-me constantemente atualizada. Recentes pesquisas tem associado o câncer ao estresse e lendo sobre esse tema fui remetida ao ano de 2011, ano em que adoeci. Recordo-me que esse ano tinha sido extremamente estressante para mim. Lembro-me que, no início de 2011, a GVT tinha instalado um grande equipamento ao lado de minha casa, e que o barulho emitido pelo mesmo era ensurdecedor. Foram mais de 8 meses de noites mal dormidas e brigas com a própria GVT e com o SEMASA - Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André - para que fosse colocada uma cobertura no equipamento com o intuito de diminuir o nível de ruído e eu pudesse voltar a dormir ...
Como se não bastasse, no meu trabalho, durante boa parte do ano de 2011, o estresse também foi  imenso, pois, na época, o quadro de servidores era pequeno e o volume que eu tinha de trabalho era absurdo e, para ajudar, o clima interno também era bem ruim. Eu saia do trabalho literalmente esgotada, mentalmente e fisicamente.
E ainda, para ajudar, em setembro de 2011, a minha amada calopsita adoeceu da noite para o dia e entrei em uma tristeza profunda, pois nenhum veterinário tinha sido capaz de diagnosticar o que ela tinha...
De fato, o ano de 2011 foi todo de um estresse total ... E, para fechar o ano com chave de ouro, em novembro adoeci e em dezembro recebi o diagnóstico: câncer de ovário! 

Algumas vezes, as armadilhas que caímos sobre a maneira de nos relacionarmos conosco, com os outros e com as situações à nossa volta são de tal natureza que, se perdurarem durante um longo período podem estressar demais o nosso corpo. Resulta disso, em algumas ocasiões, que o corpo desmorona e o mecanismo de defesa contra o câncer pode ficar enfraquecido em virtude desse esgotamento. Coincidência ou não, no meu caso, acredito que isso possa ter ocorrido, pois o estresse, somado ao esgotamento físico e mental e às noites mal dormidas pode ter diminuído o meu mecanismo de defesa, e foi neste momento que a doença se instalou. Veja abaixo como funciona esse processo:

1. ESTRESSE: O ASSASSINO SILENCIOSO
O termo estresse denota o estado gerado pela percepção de estímulos que provocam excitação emocional e, ao perturbarem a homeostasia, disparam um processo de adaptação caracterizado, entre outras alterações, pelo aumento da secreção de adrenalina produzindo diversas manifestações sistêmicas.
A reação do organismo aos agentes estressores tem um propósito evolutivo. É em essência uma resposta ao perigo, que Selye dividiu em três estágios. No primeiro estágio (alarme), o corpo reconhece o estressor e ativa o sistema neuroendócrino. As glândulas adrenais, ou supra-renais, passam então a produzir e liberar os hormônios do estresse (adrenalina, noradrenalina e cortisol), que aceleram o batimento cardíaco, dilatam as pupilas, aumentam a sudorese e os níveis de açúcar no sangue, reduzem a digestão (e ainda o crescimento e o interesse pelo sexo), contraem o baço (que expulsa mais hemácias, ou glóbulos vermelhos, para a circulação sangüínea, o que amplia o fornecimento de oxigênio aos tecidos) e causa imunossupressão (ou seja, redução das defesas do organismo). A função dessa resposta fisiológica é preparar o organismo para a ação, que pode ser de luta ou fuga ao estresse.
No segundo estágio (adaptação), o organismo repara os danos causados pela reação de alarme, reduzindo os níveis hormonais. No entanto, se o estresse continua, o terceiro estágio (exaustão) começa e pode provocar o surgimento de uma doença associada à condição estressante. O estresse agudo repetido inúmeras vezes pode, por essa razão, trazer conseqüências desagradáveis, incluindo disfunção das defesas imunológicas. De modo geral, pode-se afirmar que o organismo humano está muito bem adaptado para lidar com estresse agudo, se ele não ocorre com muita freqüência. Mas quando essa condição se torna repetitiva ou crônica, seus efeitos se multiplicam em cascata, desgastando seriamente o organismo.

2. CÂNCER, O CORPO EM DESORDEM
O câncer é uma doença que se caracteriza pela proliferação excessiva de células sem finalidade em qualquer parte do corpo, onde 30 trilhões de células vivem em completa interdependência, cada uma regulando a proliferação da outra. A finalidade desse processo é preservar o tamanho de cada célula, mantendo a arquitetura apropriada para as necessidades do organismo.
As células cancerosas são as que estão fora do padrão de proliferação ordenada. Elas seguem o seu próprio controle interno de reprodução. Com isso, adquirem também outras propriedades, como invasão dos tecidos mais próximos, migração e implantação em locais distantes da sua origem primitiva, através do sangue e sistema linfático. (Ferreira, 2008)
Acredita-se na possibilidade de contribuições psicológicas no crescimento do câncer. Inúmeros pesquisadores vêm estudando possíveis efeitos de estados emocionais na modificação hormonal e desta na alteração do sistema imunológico (Bovbjerg, 1990). A relação entre o estresse e a depressão com o enfraquecimento do sistema imunológico e esta situação favorecendo o desenvolvimento de formações tumorais foram amplamente analisadas por Le Shan (1992), Simonton, Simonton e Creighton (1987) e pioneiros nos estudos dos aspectos psicológicos envolvidos nos processos de câncer.

3. TENSÃO O COMBUSTIVEL DO CÂNCER
São cada vez mais fortes as evidências de que os hormônios liberados em estado de tensão exarcebada agem sobre os tumores, ajudando-os a crescer e se espalhar.
Quando o estresse aumenta a imunidade vai lá para baixo e elevam-se os riscos de o corpo adoecer. Nos Estados Unidos os especialistas do M. D. Anderson, centro de pesquisa sobre câncer ligado à Universidade do Texas, notaram que o estresse é capaz de acelerar o desenvolvimento de células malignas no organismo.


Dessa forma, a melhor coisa a se fazer é procurar, a todo custo,  o equilíbrio, a serenidade, a fim  de viver mais tranquilamente, sem estresse e de  uma forma mais saudável! Ahhhh, se eu tivesse sabido disso antes....

3 comentários:

  1. Olá Nanci

    Excelente texto!! Adorei! Bem esclarecedor e verdadeiro. No meu caso tbém o câncer foi depois de um longo período de estresse com um irmão meu, ele era alcoólatra e nos deu trabalho intensivamente por muitos anos. Ele infelizmente faleceu em novembro de 2011 de AVC e 20 dias depois, começei a ter dores fortes pelo corpo, tratei como reumatismo durante 8 meses e por fim fui diagnosticada com câncer de ovário.Então é o que comentamos sempre aqui em casa, o stress teve tudo a ver com a minha doença; Procurar o equilíbrio, viver com mais tranquilidade como vc fala é o segredo pra manter o organismo estável e sem desagradáveis " surpresas ". bjs Elenice

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    Respostas
    1. Elenice,

      Tenho certeza que o câncer surgiu em razão do nível de estresse. Mesmo que eu tivesse alguma predisposição genética para o câncer, se o meu sistema imunológico estivesse OK ele não teria se manisfestado, mas o estresse abriu a brecha para a doença se manisfestar! Se eu soubesse disso antes...
      Bjs.
      Nanci

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  2. Elenice,

    Tenho certeza que o câncer surgiu em razão do nível de estresse. Mesmo que eu tivesse alguma predisposição genética para o câncer, se o meu sistema imunológico estivesse OK ele não teria se manisfestado, mas o estresse abriu a brecha para a doença se manisfestar! Se eu soubesse disso antes...
    Bjs.
    Nanci

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