terça-feira, 22 de maio de 2012

Sintomas iniciais, diagnóstico e primeira tentativa de citorredução...

Era final de novembro de 2011. O trabalho me consumia e eu ainda não tinha feito as compras de Natal. Sentia-me cansada com toda aquela agitação e torcia para que as festas de final de ano passassem bem depressa para que as minhas sonhadas férias de janeiro pudessem finalmente chegar.
No dia 26 de novembro, uma sexta-feira, trabalhei normalmente até o final do dia, mas desde após o almoço eu começava a sentir um desconforto abdominal, como se alguma coisa que tivesse comido não caísse bem. No final do dia,  uma sensação de estufamento começou a tomar conta de mim. Senti as roupas ficarem apertadas, comecei a ficar enjoada. Saí do trabalho e fui direto para casa. À noite, o mal estar piorou e passei o sábado e domingo com uma sensação de morte! Eu me auto medicava, mas nada adiantava. Era como se o meu corpo todo tivesse entrado em pane. Nada funcionava e atribuí todo aquele mal estar a uma possível semi-oclusão intestinal. Na segunda-feira, quando o mal estar já estava insuportável, decidi ir ao Pronto Socorro do Hospital Cristóvão da Gama, em Santo André. Por volta das 14h00 horas passei com o médico do PS que me solicitou um RX e um exame de sangue. Após analisarem os exames, que não eram conclusivos, decidiram me internar, pois havia uma suspeita de ascite (presença de líquido no abdômen)!
Eu, que nunca tinha ficado internada em toda a minha vida! Ficar internada? Aquela notícia me pegou de surpresa! Dois médicos do departamento de gastrologia começaram a acompanhar o meu caso. A primeira providência foi uma lavagem intestinal, após a lavagem, iniciou-se uma série de exames de sangue e urina, ultrassonografia, tomografia, endoscopia, colonoscopia, etc, etc. Eu já estava há cinco dias no hospital e estavam me virando do avesso. Foram realizados exames de marcadores tumorais e o CA 125 revelou-se muito alto. Ascite, associada a marcador tumoral elevado não é um bom sinal. Sentia a agitação dos médicos, mas ninguém me falava nada.  O médico decidiu-se por uma videolaparoscopia, a qual foi realizada no sexto dia de internação. Após o procedimento, o médico informou que tinha sido retirado o meu ovário esquerdo e mais algumas "bolinhas" para biópsia, bem como todo o líquido que estava presente em meu abdômen. Tive alta no dia seguinte, em 07/12/2011.
No dia 13/12/11, retornei ao hospital para retirada dos pontos e a enfermeira me disse que o médico queria muito falar comigo! Como ela também não conseguia esconder a agitação, comecei a ficar nervosa e, a partir daquele instante, pude ter certeza que alguma coisa muito errada estava acontecendo! Entrei no consultório do médico e ele, sem rodeios, me disse que o resultado da biópsia tinha saído e que se tratava de um câncer de ovário já em estágio bastante avançado, e que o meu abdómen estava tomado de "pintinhas brancas".  Ele rascunhou um encaminhamento para um médico ginecologista/ oncologista do próprio hospital e encerrou a conversa dizendo que esperava ainda me ver bem!
Pensei que eu fosse perder o chão com a notícia, mas uma força inexplicável tomou conta de mim! Marquei a consulta com o médico indicado para o dia 15/12/11. É claro que consultei o Dr. Google antes da consulta e já fui para a mesma munida de informações e possíveis perguntas que eu faria para o médico.
No dia da consulta, o médico me fez algumas perguntas, falou-me sobre a doença e disse que seria necessária uma cirurgia radical, com um corte vertical em meu abdomen desde abaixo do seio até o início do pubis, onde seriam retirados todo o meu aparelho reprodutor, parte do intestino e tudo o mais que tivesse doença visível. Ele me solicitou alguns exames pré-operatórios e disse que a cirurgia poderia ser realizada no começo de janeiro! Gostei do médico, mas não me senti totalmente segura!
Tudo estava acontecendo muito rápido e eu não conseguia digerir aquilo! Eu que sempre tinha realizado todos os exames de rotina anualmente, eu que não sentia nada. De onde é que tinha surgido aquele câncer? Como é que uma doença pode surgir, sendo totalmente assintomática? Onde é que eu tinha errado? Todos estes questionamentos atolavam a minha mente!
Alguma coisa estava me deixando inquieta e sem mais nem menos comecei a pesquisar na Internet hospitais especializados no tratamento do câncer. Minha vida estava em risco e eu gostaria que alguém, especialista em câncer, pudesse me operar! Foi quando encontrei o Hospital A C Camargo! Imediatamente liguei para lá e consegui uma consulta com um médico ginecologista/oncologista, Dr. Carlos Faloppa, para o dia 19/12/11. Durante a consulta, ele me examinou, verificou os meus exames, conversou comigo sobre a doença, sobre a necessidade de uma cirurgia de citorredução, sobre como seria a cirurgia e propôs já marcá-la para o dia 07 de janeiro de 2012.
A partir daí, decidi mesmo continuar o meu tratamento no AC Camargo!
O Natal e o Ano Novo passaram e o dia da cirurgia chegou rápido. Seria uma cirurgia longa, com aproximadamente 12 horas de duração! Fui internada no dia 06 de janeiro e no dia 07 de janeiro, pela manhã, fui levada para o centro cirúrgico.
Lembro-me que acordei no centro cirúrgico e que, mesmo ainda dopada, percebi que ainda era dia! Mas como ainda era de dia se a cirurgia duraria 12 horas? Consegui balbuciar algumas palavras para a enfermeira: Que horas são? E ela me respondeu que eram 10h45! Naquele instante percebi que tudo tinha dado errado!
Voltei para o quarto, onde meu marido e minha irmã me aguardavam. Eles, percebendo a minha aflição, disseram-me que o médico decidira abortar a cirurgia em razão do grande acometimento do meu abdômen pelo câncer e que, naquele momento,  não seria possível a cirurgia!
Cresci ouvindo estórias sobre câncer e em muitas delas eu ouvia: - Abriram e fecharam o coitado, não deu para fazer nada! Foi assim que eu me senti, sentenciada a morte!
A minha irmã me disse que o médico tinha deixado um número de celular para que o meu marido entrasse em contado com ele. Pedi para a minha irmã o número e liguei eu mesma para o médico. Ele atendeu surpreso de eu estar ligando para ele apenas  algumas horas após a cirurgia, e eu lhe disse que gostaria de saber exatamente o que estava acontecendo comigo! Ele me explicou algumas coisas por telefone e naquele mesmo dia ele passou no meu quarto para visitar-me. Foi quando ele me disse que, no momento, o câncer era inoperável e que seria necessário o tratamento quimioterápico para reduzi-lo até o ponto de torná-lo operável. Ele me informou que geralmente, nesses casos, era comum o câncer reduzir em até 80% e pediu-me para confiar nele. Embora a minha frustração fosse evidente, as palavras dele confie em mim , confie em mim, começaram a ecoar em minha cabeça! Afinal de contas, eu tinha outra escolha????
Nessa cirurgia o Dr. Carlos retirou o meu ovário direito, algumas amostras do peritônio e da tuba uterina e a biopsia revelou um adenocarcinoma seroso papilífero de ovário, estágio III C. Pelos menos agora sabíamos com o que exatamente estávamos lidando e a cirurgia valeu para descobrir a histologia e o estadiamento do câncer!

8 comentários:

  1. Olá,
    Gostaria de saber qual nível seu exame CA 125 deu, pois minha mãe fez e o dela deu 150, mas ainda não foi diagnosticada, foi encaminhada para outro médico. Estou desesperada,mesmo sabendo que temos que ter fé e confiar em Deus.
    Aguardo resposta.
    Parabéns pelo seu blog.
    Abraço.

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    1. Ola Leiliane,

      Infelizmente, fui diagnosticada em estágio avançado e o CA 125 estava em quase 600. Embora o CA 125 sozinho não indique ca de ovário, no meu caso, a biópsia comprovou que se tratava mesmo de um câncer! Desejo boa sorte a sua mãe e nunca percam a esperança e a fé!
      Bjs.

      Nanci

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    2. Ola Nanci,
      Muito obrigada por me responder,ja estou um pouco mais tranquila. Que Deus te abençoe e recompense muito pela iniciativa de ter criado esse blog para compartilhar a sua experiência e história com outras pessoas Qualquer dia eu volto pra te dar notícias.
      Bjos

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  2. Nanci, antes dessa dor aguda que e levou ao pronto socorro, voce nao sentia nenhuma dor na regiao pélvica? Fazia ecografias anualmente?

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    1. Olá Cristina,

      As dores que sentia foram atribuídas a um problema gástrico! Fui diagnosticada erroneamente como sendo portadora da Síndrome do Intestino Irritável. Creio que a minha ginecologista tenha errado ao não ter solicitado uma investigação mais acurada, para a minha infelicidade!
      Abraços.

      Nanci

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  3. Nanci quero falar com você. Trocar idéias. Qual seu email??? O CA 125 da minha mae deu 1117.6 danacastro9@hotmail.com

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  4. Nanci, você escreve muito bem! Fica tudo muito bem explicado!!
    Vou a acompanhar desde o começo seu blog, desejando sempre que você esteja bem!

    Super beijo,
    Adriane.

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